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Balas de canelas

Eu não aguento mais tentar expressar tudo isso que aqui dentro me corrói em meras palavras, sentar na frente dessa tela fria e incrivelmente fracassar. As palavras não são mais suficientes... deve ser por isso que tenho há tanto tempo tenho me afastado daqui. Parece que o que antes me era suficiente para esvaziar a mente agora não funciona mais. Tenho saudade da época em que me bastava abrir um mero bloco de notas e como um passe de mágica libertava tudo o que me incomodava e no final, assim que eu lia o que havia escrito, tudo por lá ficava, fosse a tristeza por um amor não correspondido, a incerteza de um novo alguém, a ansiedade por um novo dia, a dúvida de uma escolha, não sei como, mas cada vez que escrevia me sentia mais leve, limpa, aliviada.

Hoje o que escrevo já não leio e o que leio não mais me toca. Não perdi a inspiração pra poemas, nem deixei de ter sonhos bons para narrar, mas de alguma forma o que sempre me moveu a escrever foram dores e negatividade, pois as boas coisas dessa vida eu finalmente aprendi a conviver e guardar elas somente para mim. Porém isso não significa que deixei de sentir angústias...

Sempre escrevi com a intenção de que o causador ou o merecedor do momento ouvisse minhas "preces e desabafos", me parecia que dessa forma eu conseguia avisa-lo de que algo estava certo ou errado, e fazer tudo isso, incrivelmente, dava muito certo. Nem sempre minhas palavras chegavam realmente á quem eu as dirigia, mas eu me sentia aliviada depois de "falar", tirava de mim o peso do "mas eu podia ter dito e não disse". É, pelo visto eu cresci e só vir ao meu confessionário não é mais suficiente para me sentir aliviada. É verdade, eu falei mais o que sentia e escrevi menos...

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