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Entre uns e outros

Tem tempo Lento... Tem amor Quase perfeito E vento Que vem lento, forte... E perfeito Folha seca cai Pensamento vai Além Aquém Porém Tem dor que não sai E corpo padece De sorrir se esquece Acorda Da corda Concorda Com corda Enlouquece Lua que vem Olhar busca alguém Na multidão Escuridão Solidão Prisão... Não encontra o que tem E a vida segue Ele a ergue Protege Entregue Mais um amor fortalece

3,2,1

O tempo foi suficiente para gerar uma vida, mas ele o fez diferente, preferiu mudar a vida que já existia. Não era mais o fato de estar ou não ali, existia algo maior, uma força maior. Era noite quente de maio e ela baixinho dizia "liberdade"... E lá se disse um tchau com peso de adeus e gosto de até logo. Naquela noite banhou seu rosto com secas lágrimas que insistiam em correr invisíveis e mergulhou num abraço que afogou suas mágoas. Morria ali: esperança, fraquezas e tristezas. Voltou então ao seu lar e no caminho passou o passado, o presente e viu o futuro... Um ou dois? tragos e garrafas sorrisos ou choros? sonhos e tormentos como o ar, cometa perfeito, amor cadente, explorador Beijo doce não sentido. Agora a vida segue por não se sabe onde, mas segue. E fica o amanhã para ser descoberto. "boa sorte" ela ainda diz, vida nova lhe espera.

Qualquer coisa pra desafogar

Certa vez li que o "romance estava em apuros" e de fato está. Preso em garras de desigualdade, indiferença e tortura. Ralado, cortado, enfraquecido... Só que o que não entendem é que feito areia fina o romance não pode ser levado em mãos abertas pois o vento o leva, e tampouco travado em firmes mãos que escorre pelos vão dos dedos. O romance é algo, assim, que deve ser acolhido, levado em proteção ou então ele se dispersa no ar e vai abrigar-se noutro canto. O romance, ou o nome que o dão, esteve e estará sempre em apuros, pois é preciso que risco ocorra. É, absurdamente necessário que medo e fraquezas façam parte disse processo... só assim aprendemos, entregamos, erramos, e o mais importante: só assim ele deixa o vento o levar quando for a hora de partir.

Tempo que passa

Feridas se tornam cicatrizes marcas lembram passado o sol dá espaço a lua surge o sol ressurge a lua também O homem bota a calça e calça a bota ela fecha a porta e abre a bolsa caminham juntos sem destino As estrofes são sem rimas sem contexto apenas sentimentos... e a lua surge o sol ressurge e eu também

poeta

sonhador de amor sentidor de dor de calor, fervor, rubor... ah, poeta desalmado aclamado, julgado, enclausurado, decapitado jogado. Não pensas em quem sente as palavras que lhe saem a mente poeta sujo, porco, recalcado permites dor, amor, fervor, calor Chega! antes que ceda que veja, que esteja Ah, poeta amado Julgado, apontado, eliminado.

Suspiros

E a gente navega, constrói horizontes de perfeição  Expande o núcleo de boas lembranças  Sorri, respira, inspira e esquece lembrando É o tempo que passa,  passa,  passa e não apaga o que ficou pra trás  Ai a gente recolhe momentos  pendura suspiros  torce pensamentos  e seca lágrimas  E o sol se põe a noite te banha a lua te chama e a gente sonha 
Não esta relacionado ao quanto você consegue suportar, tem haver com o que te movimenta, com o que realmente sente... Com aquilo que por mais que você queira fingir não existir, tá ali muito mais forte que você, muito mais real do que um dia lhe foi realidade. Não é sobre as lágrimas que a gente engole e as esconde em sorrisos de plástico. É tudo aquilo que sufoca não só o peito, mas te sufoca a alma... é todo um conjunto de dizeres que te emudecem. É todo o amor que te mostra estar ali, intacto, como se tudo tivesse acontecido na noite anterior. Sim, amor, aquela coisa que te mata aos poucos, que faz do teu coração um qualquer músculo despedaçado. Não é paixão, desejo, ou tesão... É casto e destruidor. E essa sou eu, que tanto brinco de não me importar, sentindo que as vezes não vou suportar, que vou  explodir e me permitir esvairar por qualquer vento que me faça chegar até você, meu cometa majestoso, meu... Meu... Meu "mais nada vale o que eu disser". E que fique então ...